segunda-feira, 29 de junho de 2020

As quatro estações da vida

A Lei Municipal 1038 de 18 de maio de 2012, dispõe sobre a comemoração do Dia da Conscientização da Violência Contra o Idoso, consoante noticiário do Cruzeiro do Sul, edição de sábado, foi muito bem lembrado na cidade, na manhã e tarde da última sexta-feira. O texto chama a atenção de forma oportuna, para a maneira de se tratar o idoso.
O presidente do Conselho Municipal do Idoso - Luís Antonio Gonçalves Gildes - enfatizou perspectiva interessante e oportunidade, ensejando reflexão, notadamente, para cuidadores de idosos. E, permitimo-nos a fazer nossas, suas palavras, por insistirmos em seu conteúdo social.
Sua manifestação: "Estamos fazendo uma conscientização para as pessoas que convivem com idosos. Falamos sobre os cuidados que devem ter com seus pais e avós". A promoção, que teve como palco a Praça "Cel. Fernando Prestes", lembrou ainda a comemoração do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, definida pela Organização das Nações Unidas.
É bom refletir sobre esse tema, pelo que ele tem de relevante alcance social, ainda porque quem é moço hoje, caminha para a velhice e, todo ser humano faz esse percurso. É questão de tempo e de oportunidade, ou seja, quem viver verá... Simplesmente inevitável.
Uma reflexão desencantadora é quando uma pessoa após lutar pela vida afora, quando chega à época da velhice, ver-se desprezada, incompreendida e ir ficando pelos cantos da casa, "como se fosse uma vassoura velha". É preciso respeitar o ser humano, sempre. E, de modo particular, na velhice. Quando está na fase intermediária, tudo vai bem, ou seja," tudo é lucro", mas na idade avançada, a "coisa" muda muito.
Pessoas que trabalham em casas de recolhimento de idosos observam que os visitantes não são muitos. Há ausências sentidas: é a vivência do aforismo de que "lugar de velho é no asilo". É, no asilo, ainda que sempre bem assistidos, e compreendidos, nem sempre os internos recebem visitas...
Há um "certo esquecimento", que até criou um ditado popular que diz que "lugar de velho é no asilo". Ainda bem que existe asilo, mas, à distância e a solidão desses recintos, é minorada, quando os seus internos recebem visitas de grupos de pessoas que passam por lá, conversam um pouco, dando uma atenção aqui e acolá, onde nem sempre o "diálogo, é diálogo", mesmo. Eles mais ouvem, pouco ou quase nada falam
É preciso que se reflita sobre essa perspectiva, para minorar a solidão dos internos. A vida, aliás, é bem o retrato da natureza em suas quatro estações. Um saudoso rotariano baiano, Jaime de Moura Ferreira, certa vez em uma palestra, comparou a caminhada do Homem, pela vida afora, através da vivência das quatro estações do ano.
Posto isto, em feliz metáfora, ele disse que na Primavera ser humano desperta de um longo sono e sua alma começa a restabelecer os contatos com o mundo novo. Amanhece o dia e, uma desafiante jornada, aguarda-o. Nesta fase, a personagem é uma criança e, com pressa de respostas para suas perguntas. Atira-se para frente. Para o desconhecido e vai procurando moldar o seu próprio destino. Está começando o tempo do "perde/ganha". É a fase da vida que se passa no jardim, bem apropriadamente conhecido, à luz da pedagogia, como sendo" o jardim da infância". E, tudo é flor...
E, depois, o "verão da vida". Como dizem os astrônomos "... o sol soberbo e majestoso, ostentando a soberania cósmica anunciando o meio dia. E, o ser humano encontra-se na plenitude de sua energia, buscando os seus objetivos de vida"
Na poesia/prosa do rotariano citado ele enfatiza que a natureza também demonstra a sua exuberância. E, o ser humano, ator principal de todo contexto da natureza? É o cenário ideal para realizações das aspirações mais justas e sempre perfeitas.
O outono, segundo essa linha de pensamento, seria o despertar da consciência, no prenúncio da velhice honrada, a necessidade de reflexão, através de um exame de consciência de vida, na perspectiva de correção de rumos. Essa correção significa, também, uma maior participação de melhora, quer seja no ambiente do cotidiano, ou na contribuição que cada um possa dar, por sua atuação social. E, há tanta oportunidade para isto, até mesmo por uma palavra boa.
Na metáfora interpretativa desse interessante trabalho, o fecho está no tempo de inverno. Segundo essa linha de pensamento, é a fase da terceira idade, quando aparecem as rusgas na face, os "cabelos ficam nevados". E a coisa não é sombria, como pode aparecer em uma primeira vista, visto que vem em abono " ... a sabedoria acumulada que define a maturidade do seu espírito, é tempo de reflexão e de referências.
Cabe a cada um, inserir-se no contexto de vida, podendo ou não, ter como referência a interpretação desse rotariano, que um dia traçou essas metáforas. É a perspectiva aberta a cada leitor.


João Dias de Souza Filho escreve quinzenalmente neste espaço.

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